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Matriz Energética

O Brasil conta com mais de mil usinas hidrelétricas espalhadas pelo território nacional, que juntas produzem 65% da energia do país. Um contraste em relação ao que acontece no mundo. As fontes renováveis participam em média com apenas 13% da matriz energética dos países industrializados. O percentual cai para 6% entre as nações em desenvolvimento.
 
A opção brasileira pelo modelo hidrelétrico se deve à existência de grandes rios de planalto, que são alimentados por chuvas tropicais abundantes e constituem uma das maiores reservas de água doce do mundo. Além disso, a energia hidrelétrica é, em geral, mais barata no aspecto operacional e emite menos CO2 que as termelétricas.

Porém, os aproveitamentos hidráulicos para grandes e médias usinas sofrem impactos significativos nos custos de transmissão por estarem localizados cada vez mais distantes dos grandes centros. Além disso, devido aos impactos socioambientais, as usinas hidrelétricas estão sujeitas a restrições para obter o licenciamento.
 
Em segundo lugar na matriz energética brasileira vêm as usinas termelétricas, que ganharam importância como complementação da matriz hidráulica, especialmente a partir do final da década de 90. Há ainda um significativo percentual de energia importada formada, principalmente pela energia correspondente à parcela paraguaia gerada em Itaipu.

As termelétricas
também têm participação considerável na matriz energética brasileira, representando 25% da geração. Apesar de tudo isso, 6% da energia elétrica nacional são importados de países da América Latina, principalmente da parcela paraguaia da Usina Hidrelétrica de Itaipu (PR).

Atualmente, o Brasil opera 2.700 empreendimentos de geração de energia, com capacidade instalada total
de 128 mil kW. Nos próximos anos, devem ser inauguradas mais de 700 novas geradoras em território nacional, com potência outorgada de 48 mil kW.
 
Para mais informações sobre o panorama da geração no Brasil, clique aqui.
 
 
Composição da matriz energética brasileira

Matriz Energética Brisileira
Fonte: Aneel, 2012

Empreendimentos em Operação

Hidrelétricas

A produção de energia nas usinas hidrelétricas ocorre a partir da queda d'água, que gira as turbinas e aciona o eixo gerador de eletricidade. As usinas podem ter portes variados, dependendo da capacidade de aproveitamento da vazão e queda d'água do rio no qual forem instaladas. Os empreendimentos com capacidade máxima de 30 MW e reservatório de até 3 km² são denominados Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs).

As usinas hidrelétricas são as fontes geradoras de energia mais limpas e econômicas do mundo. Em 2004, com a reformulação do marco legal do setor elétrico brasileiro, a geração hidrelétrica passou a se expandir no país com os leilões promovidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Neles, vence quem oferecer a menor tarifa de energia.

Para participar dos leilões, o empreendimento hidrelétrico já deve possuir uma primeira licença ambiental, chamada Licença Prévia. Depois, precisará cumprir uma série de exigências e condicionantes socioambientais para garantir a Licença de Instalação e Licença de Operação.

Atualmente duas usinas estão em processo de construção, adquiridas com bases nesses leilões: as usinas de Furnas, no rio Madeira (RO), e a de Belo Monte, no rio Xingu (PA). Quando finalizada, Belo Monte será a terceira maior hidrelétrica do mundo e a maior hidrelétrica completamente brasileira, produzindo 4,5 mil MW ao ano, que são 10% do consumo nacional.

O custo de implantação de uma hidrelétrica varia entre 2.500 R$/kW (usinas com capacidade acima de 500 MW) e 5.000 R$/kW (PCHs). Em grande parte, os investimentos são financiados com capital de terceiros a longo prazo, de forma que o serviço da dívida possa ser pago com a geração de caixa do próprio empreendimento. Os altos volumes de investimento inicial, entretanto, são compensados por altas margens EBITDA.

Termelétricas

A queima de combustíveis fósseis é a base da energia produzida nas termelétricas. O setor tem como matérias-primas o gás natural (10,5%), o petróleo (6%), o carvão mineral (1,5%) e a biomassa (8%) - bagaço de cana de açúcar, capim ou casca de arroz, por exemplo.

As termelétricas diminuem a dependência brasileira das hidrelétricas. Também reduzem o risco de racionamento em caso de escassez de chuvas ou diminuição dos volumes de água nos reservatórios. Outra vantagem das termelétricas é que elas podem ser instaladas perto dos grandes centros consumidores, diminuindo assim as perdas de transmissão e melhorando a qualidade da energia fornecida.

As usinas termelétricas podem ser de ciclo simples ou de ciclo combinado. No primeiro caso, a queima do combustível gera a pressão necessária para girar a turbina que vai mover o gerador. Já o segundo modelo combina sistemas de geração movidos pela queima do combustível e pelo vapor proveniente dessa mesma queima.

Esse tipo de empreendimento exige um investimento inicial menor do que uma usina hidrelétrica (1.500 R$/kW nas usinas de ciclo combinado e 1.700 R$/kW nas usinas de ciclo simples). Porém, sua margem EBITDA também tende a ser menor em função dos elevados custos de O&M e gastos com a compra de combustível.

Usinas Nucleares

As usinas nucleares obtêm energia a partir da fissão controlada do átomo de urânio enriquecido. O intenso calor produzido é usado para aquecer a água e transformá-la no vapor que irá mover a turbina, em um processo semelhante ao das termelétricas. Por isso, este tipo de usina é também chamado de termonuclear.

Em função da complexidade tecnológica e dos riscos associados ao resíduo resultante do processo, apenas 1,57% da capacidade instalada no Brasil é procedente de usinas nucleares. As duas em operação no país se localizam em Angra dos Reis (RJ).

Energia Eólica

Uma tendência recente no Brasil é o investimento nas chamadas fontes alternativas. Uma delas é a energia eólica, produzida por geradores movidos pela força dos ventos - os aerogeradores. Estes equipamentos são agrupados em parques eólicos para tornar rentável a produção.

No Brasil, essa fonte de energia foi impulsionada pelo governo federal a partir de 2002, por meio do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia (Proinfa), como forma de diversificar a matriz energética. Por ser uma forma de energia renovável e de baixo custo, os parques eólicos cresceram rapidamente. Atualmente o país possui unidades nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul.

Devido aos custos cada vez mais competitivos e aos incentivos do governo federal, as fontes geradoras de energia eólica devem apresentar um crescimento significativo nos próximos anos.

Outras Alternativas

A energia solar, conhecida como fotovoltaica, dispõe de sistema gerador composto por painéis de silício, que geram energia elétrica sob a incidência do sol. Esta modalidade de geração tem se mostrado economicamente viável em regiões remotas ou em pequenas instalações. Entretanto, países como Estados Unidos, Japão e Alemanha possuem projetos para a utilização de energia fotovoltaica em centros urbanos.

O gerador de energia elétrica pode, ainda, ser impulsionado a partir do movimento das marés, da força das ondas, das correntes marinhas ou até das diferenças de temperatura dos oceanos. É uma forma de geração de energia considerada limpa e sustentável, mas que requer condições muito específicas para garantir a viabilidade econômica de sua produção.